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Seminário "Questões de estética 2009 - 2010"

Seminário Questões de Estética 2009/ 2010

 

No ano lectivo 2009/ 2010 o Grupo de Estética do Instituto de Filosofia da Linguagem (IFL/ Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa), coordenado pelo Professor Doutor José Gil, propôs a realização de seminários regulares de apresentação de trabalhos/ temas de Estética. A iniciativa teve apoio entusiasta por parte do Coordenador do Grupo e também por parte da Prof. Doutora Maria Filomena Molder, orientadora dos quatro doutorandos proponentes: Diana Soeiro (coordenação executiva), Maria João Mayer Branco, Nélio Conceição, Nuno Fonseca.

 

Os objectivos eram: dar a conhecer os trabalhos em curso e a produção filosófica dos doutorandos que estejam a trabalhar directamente no âmbito da Estética ou em qualquer outro tema com ela relacionado; divulgar os trabalhos individuais dos membros e colaboradores do IFL; promover a troca de ideias; dar conta da produção filosófica relativa aos temas de Estética.

 

Estivemos receptivos a receber comunicações referentes a diferentes perspectivas filosóficas: Filosofia da Arte, estudos da percepção ou do corpo, trabalhos que tivessem como ponto de partida as Artes. Pressupusemos, portanto, uma visão alargada do que pode ser a Estética.

 

Assim, mensalmente, na segunda semana de cada mês, à 5ª feira, pelas 17h, no IFL (FCSH/ UNL) tiveram lugar 9 sessões, cada uma com uma apresentação entre 20 - 40 minutos seguida de um espaço de discussão, no Edifício I&D (antigo DRM).

 

Seguem abaixo os sumários das apresentações e breve biografia dos que conduziram uma sessão. Os textos das apresentações estão disponíveis em “dossier” para consulta pública no Instituto de Filosofia da Linguagem (IFL) – Edifício I&D, piso 4, sala 4.01.

 

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As nove sessões: breve sumário

 

Sessão Um

12 de Novembro - 5ª feira - 17h-20h - sala 1.04

Discussão de texto "La perception du changement" (1911) de Henri Bergson

(in "La pensée et le mouvant - Essais et conférences")

 

Nesta sessão o texto de Bergson foi disponibilizado em formato .pdf juntamente com o email de divulgação para que fosse possível que os interessados fizessem uma leitura prévia com vista a ter como ponto de partida uma plataforma comum. A discussão revelou-se acessa e desvendou as diferentes motivações que orientavam cada um na leitura do texto, ie. cada um tirou do texto aquilo de que se sentia mais próximo, o que quase sempre estava relacionado com o seu tema de investigação. A sessão possibilitou um primeiro contacto entre todos sendo que antes da discussão todos se apresentaram fazendo uma breve descrição do seu tema de investigação – o que aconteceu sempre que alguém novo participou em qualquer uma das sessões.

No final ficaram algumas questões por discutir que foram brevemente abordadas na sessão dois. O texto de Bergon, e as questões, é o que se pode encontrar no dossier correspondente a esta sessão.

 

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Sessão Dois

17 de Dezembro - 5ª feira - 17h-20h - IFL - sala 1.04

"Visualidade háptica e os neurónios espelho" (“Haptic Visuality and the Mirror Neurons”)

por Patrícia Castello Branco

 

Biografia curta: Patrícia Castello Branco (PhD), Instituto de Filosofia da Linguagem, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. http://filmphilosophy.squarespace.com/patrcia-castello-branco

 

Abstract: “In recent years, several media theorists and philosophers have argued for a new understanding of visual technologies, as working critically outside European post-Enlightenment ocularcentrism with its abstract optical space. They argue that those practices are demanding to substitute the modern European understanding of vision as coupled with symbolic knowledge, with a new perspective where vision itself is addressed as embodied and material. In this paper, I will further this claim by specifically addressing the issue of “haptic visuality” (Riegl, Deleuze, Marks). My argument here is that technological haptic images brought to light an evidence that has always been present in our relationship to the images we see: the evidence that we relate to images firstly at a sensor-motor level. I will, then, claim that this concept of haptic visuality can be best understood in articulation to the most recent discoveries of neuroscience, primarily, those related to the mirror neurons issue which supports the idea that our relationship with images finds its meaning in gesture, in the sense of touch, and in the physical spatial perceptions, more specifically, in the sensor-motor system.”

 

 

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Sessão Três

14 de Janeiro - 5ª feira - 17h-20h - IFL - sala 1.04

"Deleuze e o Cinema"

por Susana Viegas

 

Biografia curta: Susana Viegas é doutoranda em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa  onde desenvolve o projecto de doutoramento “Filosofia do Cinema: processos de criação de uma nova imagem do pensamento”. A sua investigação centra-se na Filosofia de Gilles Deleuze e no cinema enquanto filosofia. É investigadora no Instituto de Filosofia da Linguagem e bolseira da F.C.T. http://sites.google.com/site/susanarainhoviegas/

 

Sumário: "O pensamento de Bergson, principalmente o primeiro capítulo de “Matière et mémoire”, foi uma influência decisiva para as afinidades entre cinema e filosofia apresentadas por Gilles Deleuze. Assim, neste seminário começarei com uma leitura do primeiro comentário de Deleuze às três teses sobre o movimento em Bergson presente em “L'Image-mouvement” (1983: pp.9-22). Através da anáise dos conceitos de movimento, matéria e duração deparamo-nos com duas fórmulas irredutíveis sintetizadas por Deleuze: a) Cortes imóveis + Tempo abstracto; b) movimento real => duração concreta. Em “L’Evolution créatrice”, a formula a) corresponde à ilusão cinematográfica, isto é, o falso movimento no cinema é criado pelo movimento automático, mecânico, elemento exterior às imagens ou cortes imóveis. Mas, além disso, o próprio movimento É um corte móvel que exprime a mudança qualitativa, a duração concreta vivida e percepcionada na realidade. Ou seja, para além de a arte cinematográfica lançar uma questão bastante pertinente relativamente à passagem do tempo, também permite uma abertura para o passado transcendental, visível no esquema do cone invertido em que o passado se torna, paradoxalmente, coexistente e preexistente ao presente. Deste modo, do presente eterno em “L’Evolution créatrice” (1907) passamos a um passado total em “Matière et mémoire” (1896)."

 

Argument: "La pensée de Bergson et, en particulier, le premier chapitre de « Matière et mémoire » ont eu une influence décisive sur les affinités entre cinéma et philosophie qu’étudie Gilles Deleuze. Je commencerai donc ce séminaire par une lecture du premier commentaire que fait Deleuze dans « L’Image-mouvement » (1983: pp.9-22) sur les trois thèses de Bergson concernant le mouvement. L’analyse des concepts de mouvement, de matière et de durée aboutit à deux formules irréductibles que Deleuze synthétise comme suit : a) coupes immobiles + temps abstrait; b) mouvement réel => durée concrète. Dans L’Evolution créatrice, la formule a) renvoie à l’illusion cinématographique : le cinéma, par le mouvement automatique, mécanique, élément extérieur aux images (les coupes immobiles), crée un faux mouvement. Mais, par ailleurs, le mouvement lui-même est une coupe mobile exprimant le changement qualitatif, la durée concrètement vécue et perçu dans la réalité. Autrement dit, non content de poser avec pertinence la question du passage du temps, l’art cinématographique permet également une ouverture vers le passé transcendantal, comme l’illustre l’image du cône renversé : paradoxalement, le passé coexiste avec le présent, en même temps qu’il lui préexiste. Ainsi, du présent éternel dans L’Evolution créatrice (1907), on passe à un passé total dans Matière et mémoire (1896)."

 

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Sessão Quatro

11 de Fevereiro - 5ª feira - 17h-20h - sala 1.05

"Do exorcismo à medicina: variações e alterações de um conceito de corpo" (“From exorcism to medicine: variation and change in the concept of body”)

por Diana Soeiro

 

Biografia curta: Diana Soeiro (n. 1978) vive e trabalha em Lisboa. É doutoranda de Filosofia e desenvolve investigação sob o tema A cor como abrigo; a arquitectura como cuidado/ Colour as shelter: Architecture as care, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), na Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (UNL-FCSH) sob orientação da Prof. Doutora Maria Filomena Molder (UNL-FCSH) e co-orientação da Prof. Doutora Maria João Durão (Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Arquitectura/ UTL-FA). É membro do Instituto de Filosofia da Linguagem/ Grupo de Estética (UNL-FCSH) e do Laboratório da Cor (UTL-FA). Interesses de investigação: Estética e Ontologia; Fenomenologia; Espaço e corpo; Arquitectura e Teoria da Arquitectura; Ecologia e Saúde Ambiental; Teoria da Cor; JW Goethe; E Husserl; G Deleuze.

 http://pt.linkedin.com/in/dianasoeiro

 

Sumário: “Tomando como ponto de partida o livro “The Cure Within – A History of Mind-Body Medicine” (NY/ London: WW Norton, 2008) de Anne Harrington pretendo mostrar, concordando com a perspectiva da autora, que não há uma progressão cronológica linear na história da medicina – no sentido de uma evolução em sentido ascendente. A história mostra-nos que não existe uma, mas sim várias aproximações à saúde-doença que co-existem simultaneamente e se confundem (antiga, tradicional, moderna e alternativa). Cada aproximação tem implícita uma perspectiva mente-corpo e é para desvendarmos essas perspectivas que a autora contribui. A minha tese é que: tanto a relação mente-corpo como a perspectiva saúde-doença, influenciam directamente a arte, no sentido em que a arte é uma resposta espontânea - que age como impulso de cura, e uma afirmação de lucidez - moldada por uma certa perspectiva mente-corpo (que afirma ou nega). Se é assim ou não, está aberto a discussão.”

 

Abstract: “Taking as a starting point Anne Harrington’s “The Cure Within – A History of Mind-Body Medicine” (NY/ London: WW Norton, 2008) I intended to argue, agreeing with the author’s perspective, that there is not a chronological linear progression in the history of medicine – in the sense of an ascending evolution. Instead, history shows that not only one but also several approaches to health-disease co-exist simultaneously and intertwine (ancient, traditional, modern and alternative). Each approach has an undeclared perspective on the relation mind-body and that is what the author contributes to unveil. My thesis is that both the relation mind-body, and the perspective on health-disease, directly influences art in the sense that art is a spontaneous answer acted out as an impulse of cure and a statement of sanity shaped by a specific mind-body perspective (either confirming or denying it). Is it really so? Let’s discuss it.”

 

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Sessão Cinco

11 de Março - 5ª feira - 17h-20h – IFL - sala de Reuniões - Torre B, 7º Piso

"Deleuze e as artes: a resistência da menoridade" (“Devenir-mineur: Deleuze et la résistance”)

por Vanessa Brito

 

Biografia curta: Vanessa Brito é investigadora em pós-doutoramento, bolseira da FCT, membro do Instituto de Filosofia da Linguagem da Universidade Nova de Lisboa. Apresentou a sua tese de doutoramento, Les arts dans la philosophie de Gilles Deleuze, na Universidade de Paris 8, e está actualmente a coordenar a publicação do livro Becoming-major/Becoming-minor. Os seus principais centros de interesse incluem a filosofia francesa contemporânea, nomeadamente as suas relações com a arte e a literatura. // Short biography: Vanessa Brito is a Postdoctoral Research fellow in the aesthetics research group of the Institute of Philosophy of Language at the New University of Lisbon (Universidade Nova de Lisboa). She completed her PhD, Les arts dans la philosophie de Gilles Deleuze, at the University of Paris VIII, and is currently working on a book publication Becoming-major/Becoming-minor. Her main research interests include contemporary French philosophy, namely its encounters with arts and literature.

 

Sumário: “Deleuze, tal como Lyotard, associou à arte um pensamento da resistência que envolve a experiência de uma alteridade radical – o impessoal ou o inumano. A nossa intervenção neste seminário visa pôr em relevo a tipologia de modos de existência que Deleuze extrai da literatura e do cinema, de forma a mostrar como é que o laço entre arte e resistência se deixa pensar através dela. Ao pôr em evidência as figuras da escravatura, do automatismo, da petrificação e do esgotamento que animam essa tipologia, pretendemos sugerir que estas experiências de uma alteridade radical definem modos de existência e de pensamento “menores”, que se opõem à autonomia voluntarista que, para Kant, definia a nossa maioridade. A hipótese analisada é que noção de “menor” marcaria uma viragem através da qual a vocação emancipadora das Luzes se vê substituída por um pensamento da resistência, entendida aqui, segundo Deleuze e Lyotard, como o que designa a aprendizagem ética do inumano ou do impessoal, feita através da arte. Por último, a partir do tema comum segundo o qual a arte é o que resiste, esta intervenção pretende identificar o que separa a ética de Deleuze da ética de Lyotard.”

 

Argument: “Deleuze, à l’instar de Lyotard, a associé à l’art une pensée de la résistance qui enveloppe l’expérience d’une altérité radicale – l’impersonnel ou l’inhumain. Notre intervention dans ce séminaire se propose de dégager la typologie de modes d’existence que Deleuze extrait de la littérature et du cinéma pour montrer comment ce lien entre l’art et la résistance se laisse penser à travers elle. En faisant apparaître les figures de l’esclavage, de l’automatisme, de la pétrification et de l’épuisement qui animent cette typologie, nous voulons suggérer que ces expériences d’une l’altérité radicale définissent des modes d’existence et une pensée « mineurs » opposés à l’autonomie volontariste qui, pour Kant, définissait notre majorité. L’hypothèse examinée est que la notion de mineur marquerait un tournant par lequel la vocation émancipatrice des Lumières se voit remplacée par une pensée de la résistance, entendue ici, d’après Deleuze et Lyotard, comme ce qui désigne l’apprentissage éthique de l’inhumain ou de l’impersonnel que l’art prend en charge. A partir du thème en commun d’après lequel l’art est ce qui résiste, cette intervention tâche finalement de dégager ce qui sépare l’éthique de Deleuze de celle de Lyotard.”

 

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Sessão Seis

8 de Abril - 5ª feira - 17h-20h - IFL – sala multimédia, piso 4

"A Teoria da Montagem de Einsenstein nos anos 20" (“Eisenstein’s montage theory in the 20s”)

por Jorge Gonçalves

 

Biografia curta: Jorge Gonçalves tem Licenciatura em Psicologia (Faculdade de Psicologia – Universidade de Lisboa) e Filosofia (FCSH -UNL). Prossegiui formação de Mestrado e Doutoramento em Filosofia Contemporânea. Encontra-se neste momento a desenvolver investigação de Pós-Doutoramento. É membro do Instituto de Filosofia da Linguagem (IFL).

 

Sumário: “Nesta sessão procuro caracterizar quais eram as ideias de Eisenstein sobre o cinema na década de 20. Esta escolha temporal prende-se com a divisão que David Bordwell propôs  em “The Cinema of Eisenstein”, segundo a qual é útil uma distinção entre a década de 20 e os anos 30-48, apesar da unidade da obra do realizador. Na primeira fase Eisenstein é modernista enquanto na segunda se aproxima mais do realismo socialista. 

 

Começo por mostrar a relação de Eisenstein com a Revolução de Outubro e com os movimentos artísticos (construtivismo, futurismo, produtivismo e formalismo) que a seguiram, num período inovador e utópico da História. Refiro as correntes teóricas, por vezes contraditórias, que o realizador usou para aplicar ao cinema: A Reflexologia de Pavlov, a Dialéctica Materialista de Deborine, o Freudismo. Descrevo o seu começo no teatro e a necessidade que sentiu de passar ao cinema. Finalmente, apresento a sua teoria da montagem, tal como está exposta nos seus textos. Nestes ele distingue cinco tipos de montagem, progressivamente mais complexos: montagem de atracções, montagem métrica, montagem rítmica, montagem tonal e montagem atonal ou harmónica.  

 

A sessão  é ilustrada com a passagem de excertos de filmes e outras imagens de produtos artísticos da época.” 

 

Abstract: "In this session I aim at characterizing Eisenstein’s ideason film in the 20s. This temporal choice relates to the division that David Bordwell has proposed in "The Cinema of Eisenstein".  According to this it is useful to distinguish between the 20s and the years ranging from 30-48 despite the unity of the director’s work. In the first phase Eisenstein was a modernist while in the second he is closer to socialist realism.

 

I begin by presenting Einstein’s relationship to the October Revolution and the artistic movements (constructivism, futurism, high productivity and formalism) that followed it, in a historic period of innovation and utopia. I refer to the theoretical currents, at times contradictory, that the director applied to cinema: Pavlov’s Reflexology, Deborine’s materialist dialectics, and Freudianism. I describe his start in theater and the need he felt to move to cinema.

 

Finally, I present his theory of montage, as exposed in his writings. In these he distinguishes five types of montage that are progressively more complex: montage of attractions, metric montage, rhythmic montage, tonal montage, and overtonal montage. The session is illustrated by the screening of film excerpts and other images of artistic production from that period.”

 

 

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Sessão Sete

20 de Maio - 5ª feira - 17h-20h - IFL - sala 1.04

"A reversibilidade óptica e as curiosas perspectivas: entre a ciência e a arte do barroco" (“Optical Reversibility and Curious Perspectives: between the art and science of the Baroque”)

por Nuno Fonseca

 

Biografia curta: Nuno Fonseca é doutorando em Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), preparando, sob a orientação da Professora Doutora Maria Filomena Molder, uma dissertação sobre a reflexividade e a crítica da representação na filosofia e na pintura do século XVII. É membro do Instituto de Filosofia da Linguagem. Os seus interesses de investigação são a filosofia do conhecimento, a ontologia, a estética e a filosofia da linguagem. http://www.linkedin.com/pub/nuno-fonseca/14/b18/b3

 

Sumário: “Os mistérios da visão, da luz e da geometria projectiva, em geral, as anamorfoses, os jogos e as curiosidades catóptricas, em particular, foram, no tempo do barroco, um interesse comum aos homens de ciência (matemáticos, geómetras) e aos artistas (pintores, escultores e arquitectos). Nesta sessão do seminário, a propósito da atenção dada à perspectiva e, sobretudo, a essa perversão erudita que foi a anamorfose, pelos "cientistas" (Desargues, Mersenne, Nicéron) e pelos artistas (Holbein, Vouet, Pozzo), num momento crítico - o do barroco - em que uma nova maneira de ver o mundo (a da Ciência nascente) ainda não estava totalmente desligada de uma experiência indistinta, confusa, concreta de um mundo em permanente movimento e transformação (expressa pela Arte das metamorfoses e paradoxos), propus uma reflexão em torno do sentido de uma estética como lógica do sensível e da sensação, retrotraindo os efeitos da herança leibniziana e barroca numa compreensão do obscuro e do indistinto na experiência perceptiva do mundo e da vida.”

 

Abstract: “The mysteries of vision, light and projective geometry, in general, and the anamorphosis, the catoptrical games and curiosities, in particular, were, during the Baroque era, a common interest to scholars (mathematicians, geometers, such as Desargues, Mersenne and Nicéron) and to artists (painters, sculptors or architects: Holbein, Vouet and Pozzo). In this session of the seminar, I intended to offer a reflection upon Aesthetics as the logic of the sensitive and of sensation, taking back to its origin the effects of a leibnizian and baroque legacy on the understanding of the obscurity and the indistinction of perceptual experience, after a brief digression concerning the scientific and artistic interests on perspective and anamorphosis, at that critical moment – the Baroque era -, when this new way of seeing the world, henceforth known as Science, was yet very connected to the concrete, confused and indistinct experience of an ever-changing world in perpetual motion, masterly expressed by this Art of metamorphosis and paradox, later called Baroque.”

 

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Sessão Oito

15 de Junho - 3ª feira - 15h-18h - IFL - sala 1.05 - ATENÇÃO: sessão com alteração em relação ao horário habitual

"Evidência e Semelhança - sobre a força fotográfica"

por Nélio Conceição

 

Biografia curta: Nélio Conceição é doutorando em Filosofia, ramo de Estética, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigador no Instituto de Filosofia da Linguagem e bolseiro da FCT.

 

Sumário: “Evidência e semelhança são noções importantes, embora não exclusivas nem estanques, para pensar a fotografia. Compreender quer o alcance filosófico da fotografia quer a sua pertinência artística implica pensar algures no entre, num território poroso e contaminado, de onde despontam traços fortes mas não determinantes daquilo a que poderíamos chamar uma «ontologia» da fotografia. A questão da evidência será tratada a partir da obra Tratado da Evidência, de Fernando Gil, recuperando-se os aspectos da estrutura da evidência que coincidem com traços da imagem fotográfica. Será feita uma confrontação com as posições de Roland Barthes (força da evidência) e John Tagg (evidência enquanto construção histórica, social e institucional). Explorar-se-ão articulações entre evidência e estética fotográfica. Quanto à questão da semelhança, o autor de referência será Walter Benjamin. Serão analisados alguns textos e procurar-se-á uma aferição do papel da semelhança na compreensão da fotografia, sobretudo no que concerne ao modo como a semelhança (e o ver as semelhanças) remete para algo de profundamente enraizado na vida do homem e na criação artística. Até que ponto os movimentos de semelhança podem constituir uma energética, uma força da fotografia? Energética não da mesma forma que a alucinação o é para a evidência, segundo Fernando Gil, mas no sentido em que constrói por dentro uma série de traços definidores do que é a fotografia e do que é ver uma fotografia.”

 

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Sessão Nove

8 de Julho - 5ª feira - 17h-20h - IFL - sala 1.07

“Os limites da linguagem no pensamento de Améry sobre a morte voluntária” por Pedro Panarra

 

Biografia curta: Investigador e tradutor na área de filosofia em Lisboa e Colónia. Mestrado e doutoramento pela Universidade Nova de Lisboa. Aguarda discussão da tese de doutoramento. Traduziu “Jean Améry: Atentar conta si. Discurso sobre a morte voluntária (Hand an sich legen), Lisboa: Assírio & Alvim, 2009”.

 

Sumário: “A apresentação que nos propomos fazer é uma reflexão que tem como ponto de partida alguns excertos do livro de Jean Améry, Atentar contra si. Discurso sobre a morte voluntária. O seu objectivo consiste  numa reflexão de natureza filosófica, mas não doutrinária. sobre o tema da morte voluntária, conduzida pela noção de limite que o próprio Améry convoca. O conceito de limite dá acesso ao mais extremo da condição existencial e às fronteiras da linguagem. No ponto de vista adoptado nesta exposição, bem como no ensaio referido, a preocupação filosófica não implica a rejeição da validade de uma abordagem psicológica do fenómeno, antes a escolha de um outro ponto de vista.
A situação da morte voluntária representa um limite da situação existencial e, por outro lado, um limite de expressão da linguagem.  Limite constitutivo da linguagem, cuja expressão, no texto de Améry, tem como instrumentos privilegiados a metáfora e a analogia. A compreensão fundamental que se associa aos limites da linguagem nesta apresentação é a ideia de a morte voluntária como o sem-sentido, mas não como o absurdo, no que se opõe à célebre tese de Camus.

O fio condutor da exposição é a semântica da morte voluntária, pois a sucessão de hesitações significativas na denominação da morte voluntária  permite destacar compreensões centrais de Améry.”

 

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O Grupo de Estética considera o Seminário Questões de Estética uma actividade a manter e por isso terá lugar também no ano lectivo 2010/ 2011, num formato ligeiramente diferente que pensamos ser mais desafiante. A informação será divulgada no site do IFL, e através dos emails de contacto disponíveis, em breve.

 

Qualquer dúvida, informação ou sugestão pode ser enviada para questoesdeestetica@gmail.com .

 

A todos os que participaram nas sessões contribuindo calorosamente para a discussão dos temas apresentados, um agradecimento sincero,

Diana Soeiro

Maria João Mayer Branco

Nélio Conceição

Nuno Fonseca

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